terça-feira, 12 de julho de 2011

Minha ótica do Programa Bolsa-Família

Vejo muitos comentários questionando a eficácia do Bolsa Família, de que as pessoas não têm interesse em trabalhar por causa do Programa, que o governo deveria investir em outras áreas como educação e saúde ou que esse programa é eleitoreiro.



Entendo boa parte dos questionamentos, mas pondero bastante quando imagino que este programa de distribuição de renda minora de maneira substancial a necessidade mais básica de um ser humano, após o ar que respiramos... Falo da segurança alimentar. 

É fácil criticar o bolsa família quando temos garantidas as nossas três refeições diárias... Ou quando o único problema que temos com a alimentação é o horário do almoço de nossos filhos ou o excesso de comida que comemos e temos que perder em uma academia.



Mas concordo plenamente em relação às críticas com a utilização política do programa, na minha concepção isso é brincar com a miséria, antes os votos eram conseguidos através da ignorância hoje são conseguidos através da ameaça velada de se perder o direito de comer.
 "Em vez de ser vista como um escoamento do orçamento nacional, a proteção social deve ser vista como um investimento decisivo para formar o poder de recuperação para lidar com choques presentes e futuros e manter vitórias alcançadas com esforço", afirmou a administradora do programa de desenvolvimento (ONU), Helen Clark, no discurso de apresentação do relatório ao se referir ao Bolsa Família e ao programa parecido existente no México, o Oportunidades.
 
Em 2010 o investimento no Bolsa-Família foi de R$ 13,4 bilhões Fiz uma comparação com o orçamento da União no mesmo período 1,8 trilhões, imaginem só, os gastos com o Programa representam míseros 0,7%, ou seja com 0,7% do Orçamento da União garantimos uma complementação alimentar (mesmo que mínima!!) a 13 milhões de famílias (dados do MDS) que vivem no limiar da pobreza. Tomando como base uma estrutura familiar composta de 3 pessoas, o Programa atinge a 39 milhões de brasileiros.

Sei que existem distorções, necessidade de implementações, uma fiscalização mais rígida... Mas para combater a pobreza tem que existir uma política de longo prazo atrelada a uma medida de curtíssimo prazo senão o público alvo morre de fome

2 comentários:

  1. você fez a critica em cima da critica. Mas se é um direito tão básico, mas tão básico, porque é vendido como a GRANDE POLÍTICA DO GOVERNO. Isso é mais do que obrigação destinar um recurso adequado para isso. Talvez muito mais do que isso era fazer uma boa redistribuição das toneladas de alimentos que se estragam porque o governo não consegue escoar. Da mesma forma, se não houver essa política a longo prazo (para nós, uma das saidas é o microcrédito (politica do PNMPO), pois é geradora de emprego e renda, o que vai me garantir que essa pessoa vai esta alimentada por 70 anos, mas vai continuar sendo uma pessoa a margem de qualquer serviço e outros direitos fundamentais? Se não garantirmos essa outra politica acabaremos só alimentando uma massa que não terá capacidade intelectual, critica e física de sair dessa miséria e buscar mais qualidade de vida

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  2. Gostei muito do seu comentário, realmente quando leio comentários deste nível estou atingindo meu objetivo de novas óticas nos assuntos em questão.

    Vamos Lá... Infelizmente, este direito "TÃO BÁSICO" nunca foi prioridade em nenhum governo brasileiro e quando o Governo FHC implantou o programa o orçamento destinado era de R$ 570 milhões (um valor meramente ilustrativo, irrisório! para os 13,4 bilhões investidos hoje). O programa Bolsa Família possui uma outra função (que eu iria comentar em outro texto, mas esses espaços servem para isso mesmo!!! vamos lá). A real função do programa é de desconcentração de renda (que é um dos grandes problemas do Brasil) existe este falso pensamento de que com o valor recebido com o programa as pessoas vão parar de trabalhar etc) se o Governo investe em obras, boa parte dos recursos acabam se tornando lucro, mas se o governo condiciona esta bolsa a alunos na escola, por exemplo, ele está descentralizando renda. Por este motivo o programa é tão elogiado pela ONU. Observe que não discordo do seu ponto de vista! inclusive possui óticas que não tinha observado.

    Mas estou falando do Programa Bolsa Família como uma política de curto prazo! nas últimas linhas escrevo "...tem que existir uma política de longo prazo atrelada a uma medida de curtíssimo prazo" Acho que as medidas que você sitou como exemplo podem ser caracterizadas como de médio prazo.

    Entendo sua indignação e concordo plenamente com sua posição

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